Edu
Recebi esta poesia da Vilmé recentemente. Estava guardada com ela, sob a promessa de que só seria entregue à mim e a minha irmã, depois da morte do meu pai. Fiquei muito emocionado e achei que deveria colocar aqui, para compartilhar com aqueles que eu gosto.

Ah, como eu gostaria de voltar para casa como voltam os velhos marinheiros... O corpo coberto de sal... A pele toda queimada... Mil estórias de naufrágios... Temporais... E achar em vocês dois o porto seguro onde atracar meu barco rôto, com casco cheio de rombos, velas rasgadas, e uma enorme esperança no peito... Os cabelos desgrenhados, barba branca, um papagaio no ombro e no bolso, o mapa do mais rico tesouro do mundo - o amor dos homens.

Como eu gostaria de chegar como chegam os guerreiros cansados... O corpo coberto de cicatrizes e ainda cheirando ao suor da última batalha. E no alforje, o fruto das vitórias alcançadas, representado por prequenas pedras com o brilho das estrelas que tanto gostas, filha minha e cordões do mais puor ouro, como os teus cabelos meu filho... E contar das minhas aventuras.

Gostaria de chegar como a brisa fresca das tardes de verão. Mansa. E o sopro leve, passando pela velha flauta esquecida, tiraria o som que atrairia todas as borboletas do mundo. E elas entrariam por nossa porta sempre aberta, e numa revoada incrível formariam o mosaico mais lindo para enfeitar suas noites.

Gostariade chegar como chegam os grandes viajantes. O corpo coberto de pó das estradas da vida. Numa das mãos, um cajado feito com a madeira da árvora mais distante. Na outra, um pedaço de arco-íris, colhido não sei onde, durante tão longa caminhada. E contaria das terras que visitei.

Gostaria de chegar como chega um circo na cidade. Primeiro a banda. Seus tambores e trombetas anunciariam a surpresa de estranhos bichos até agora desconhecidos. Depois, eu, o palhaço, com o enorme sorriso das roupas folgadas, tiraria do meu chapéu côco os mais velos sonhos, que lhes daria.

Gostaria de chegar como a primeira namorada. Ou o primeiro namorado. Trazendo para vocês o primeiro contato de corpo e o arrepio do primeiro beijo. E caminharíamos juntos de mãos dadas, os olhos brilhando e o peito cheio de amor.

Gostaria de chegar para vocês como vocês chegaram para mim. O portador da mais linda notícia do mundo - AINDA HÁ ESPERANÇA.

Mas, meus filhos, eu chego como todos os pais... Tarde... Cansado...
Maltratado. A viola no saco, os versos no bolso, uma terrível decepção pela incompreensão dos homens e os ombros curvados pelas frustrações do dia-a-dia.

Perdoem-me, meus filhos.
mesmo assim eu os amo.




Marco Antonio Porchat de Assis Oliveira (1945-2004)
Escrito em 1975.
Edu
Esse post vai ser bem "particular". Vou fazer uma historinha baseada numa série que adoro. Para quem não assistiu a fantástica "Enterprise" (que eu recomendo até pra quem não curte Sci-FI), Vou dar algumas pequenas explicações.

Apesar de ter sido gravada bem recentemente (se não me engano entre 2000 e 2004), ela antecede "temporalmente" a Star Trek clássica, do Capt. Kirk, a do Capt. Jean Luc Picard, a Voyager da Capt Janeway (que pra mim é um travesti, vestido com roupas intergalácticas), e da Defiant do Capt. Sisko.

Nesta série, o período compreendido é do primeiro contato de nós, terráqueos, com uma civilização alienígena. No caso, os Vulcanos (da mesma raça do eternizado Doutor Spok, com suas orelhas pontudas, que era oficial do chato do Capt. Kirk - que me perdoem os fanáticos).

A partir desse primeiro contato, os vulcanos ficam nos pentelhando com a desculpa que não somos evoluídos o suficiente para sairmos para o espaço. Enfim, nesse meio tempo, um cientista descobre como fazer o famoso motor de dobra e enfim construímos a primeira nave estelar. A Enterprise NX-01. Só pra situar, é a primeira nave intergaláctica construída na terra. Antes das Enterprises de classe Galaxya, Capitânia etc.

Em homenagem ao nosso querido Ruindows, escrevo esse texto. Que na verdade surgiu num dia em que meu pc simplesmente se recusava a executar qualquer operação. Nada. P., nenhuma acontecia. Parecia que o infeliz tinha vida própria. E olha que apesar de estar na pizzaria hoje, sou analista de sistemas e trabalhei com informática por mais de 15 anos.

Minha história começa com a NX-01 Enterprise, sendo "configurada" com Windows. Sim. Seu sistema de computadores ultrapoderoso (Afinal, estamos em 2020), seria comandado pela versão Windows Vega. Que não seria nada mais do que um Windows 98 muito bem maquiado e cheio de frescurinhas, efeitos especiais e musiquinhas para todo e qualquer comando.

A primeira impressão de que nada daquilo funcionaria da maneira adequada, já se daria no lançamento... Teríamos que ter uma contagem regressiva que começasse pelo menos em 60. Dez segundos não seriam suficientes para carregar todos os "drivers" para o lançamento.




O conhecimento de 1270 línguas da Lieutenant Hoshi, oficial de comunicações, não seriam suficientes pra poder fazer com que a porra do tradutor universal funcionasse com o teclado que colocaram para ela. Certamente estaria xingando muito bem em várias línguas, ou pelo menos assim soaria a quem estivesse ouvindo ou recebendo aquelas mensagens truncadas...




T-Pol é a vulcana oficial de ciências... Os vulcanos são famosos por suas vidas e comportamentos baseados na lógica e ausência de emoção. Coitada... Ou seria uma histérica ou uma viciada em Lexotan, para conseguir fazer alguma busca nos bancos de dados. E garanto que na hora que aparecesse aquele cachorrinho perguntando "O que você quer procurar?", ela teria um surto psicótico.


O Sergeant Charles Tucker (Trip) viveria em eterno processo de "desfragmentação e Scan" do reator de dobra. Isso se ele definisse corretamente qual a formatação que usaria... NTFS, FAT, PQP, VTC... Os protocolos de comunicação entre o núcleo de dobra, antimatéria e as naceles de bombordo e estibordo. Juntamente com o teletransporte que certamente cortaria as pessoas ao meio. Afinal, se um download de música já causa tanto transtorno, imagine download e upload de uma pessoa. "Enterprise, 2 para subir!" E de repente a mensagem: Sua conexão com o servidor foi interrompida. Deseja reconectar? Eu não arriscaria... =]



O lieutenant Reed seria despedido antes do primeiro vôo. Infeliz função de oficial de segurança... Com tantas brechas e bugs, o coitado não daria conta de tal. Teriam que terceirizar para uma tal de AVG space security ou Norton Spacial... Sua pistola de phasers seria para suicídio... Nem existiria a função "tonteio".





A melhor cena imaginada por mim e pelo Denis (que foi quem me viciou nessa série), seria a do Capitan Archer, na ponte de comando. Em certo momento de sua viagem, estariam sendo atacados pelos Klingons. Ele grita: Alerta de segurança! Ativar armas! Torpedos fotônicos! Aí aquela ampulheta maldita ficaria girando, girando no painel de controle e a seguinte mensagem:





Já era, nossa primeira nave intergaláctica.

Se Deus me permitisse e eu tivesse mais paciência e menos idade, juro que estudaria e instalaria um Linux no meu PC. Mas como essa possibilidade é quase remota, vou me virando aqui com essa maldição XP, versão 89.8.9.C.


Vida Longa e Próspera. (como dizem os vulcanos)

Edu =]





Edu
Para quem não sabe, sou absolutamente viciado, vidrado, enlouquecido por música. Música é minha vida, associo sempre os momentos (bons ou maus) uma passagem qualquer, até comentários das pessoas com alguma música.

Essa herança "genética", me foi passada pelo meu avô Derosse, meu pai Marco Antonio, que passaram suas vidas, embora advogando, mas sempre pautadas pela musicalidade, pelo amor à arte.

Tenho um gosto músical bastante eclético, e uma preferência descarada pelas vozes femininas. Minhas divas são Nana Caymmi, Fátima Guedes, Mariza (a fadista. Sim, eu adoro fados. Meu lado luso gritando dentro de mim). E da safra mais nova, Zélia Duncan (que me fez se apaixonar por ela definitivamente, em seu trabalho "Eu me transformo em outras") e Marisa Monte. Poderia citar mais umas tantas, mas são essas as que habitam meu Ipod e que levo prá lá e prá cá.

Dos homens, Chico Buarque é absoluto. Talvez por ter a tal "alma feminina" que todos comentam, mas esse letrista, músico maravilhoso que é. Da nova safra, Zeca Baleiro (me ganhou, musicando um poema do Cummings, traduzido pelo Augusto de Campos, chamado N'algum lugar), Pedro Mariano, Eduardo Dusek... Muita gente também.

Mas o título do meu post de hoje, é uma música do Roberto Menescal e do Paulo César Feital chamada Revolução, cantada maravilhosamente por Danilo Caymmi e Miriam Eduardo. Lá vai a letra:

Rio 31 de março
Meu amor a dor
vai me consumir
devo admitir
já não sei viver
longe dos guris
longe de você
Meu amor a dor
é imenso o apartamento
e o silêncio, amor
é ensurdecedor
tenta perdoar
a desatenção
se não perdoar
meu amor, sei não, te amo


4 de abril
a dor consumiu
também minha alma de mulher
acho até que posso dizer
morrer é viver
a vida que eu vivi
morrendo por você
quando eu te vi
com a outra nos sinais
eu me perdi e me vinguei demais
nossos guris, deixei com os animais
te possui no corpo dos navais
quando voltei eu me nivelei
àquela dama dos sinais
fui a ré perante os guris
e me condei
mas não te perdoei,
o amor não tem sursis
hoje eu reli tua carta com paixão
depois eu ri, que data prum perdão
mas nosso amor é uma revolução
eu e você.
amor também sei não...


Fiquei com essa música martelando na cabeça, talvez pelo SURSIS, pelas segundas chances, o perdão, a não reincidência das cagadas que a gente faz na vida. Sejam elas amorosas, emocionais, aos amigos, aos parentes.

Meu sursis, vai para meu pai. Que hoje não está mais entre nós. Que apesar de não ter sido o melhor exemplo paterno (das minhas expectativas), mas me deixou este legado, essa herança de apreciar a boa música. E muitas outras coisas que não gosto de lidar, e nem talvez dê o valor correto. Mas que sei que estão em mim, que fazem parte da minha personalidade.
Aqui em baixo, tem um player com a música. Se não funcionar, tente aqui



E aqui, alguns sites indidpensáveis para os fãs da música. Minha dica de hoje.
Beijos
Edu =]
Edu
Só quem lida diretamente com o público, faz atendimentos de qualquer tipo, sabe os prazeres e as enormes dores de cabeça que se tem com esse tipo de trabalho.

Para quem não sabe, sou sócio de uma pizzaria em Santos/SP, a Pizzaria do Porto (tá lá embaixo). Eu, Tatiana e os nossos "meninos", temos a árdua tarefa de transformar a visita de nossos clientes em um prazer, ou numa experiência que transcorra, no mínimo, sem sobressaltos de qualquer natureza.

Nem sempre é assim, rss. Temos um terceiro sócio, Mr. Murphy. E por mais que queiramos que o infeliz fique em casa, ele insiste em vir trabalhar diariamente conosco.

Existem algumas leis infalíveis, ditadas por esse senhor, nosso sócio, que vou citar:

  • O cliente sempre vai sentar à mesa que acabou de ficar vaga, ou seja, ainda não foi limpa, ainda há restos insólitos da refeição feita pelo cliente anterior. Talvez essa seja a lei número 1 de nossa casa. Tudo bem, normalmente as pessoas escolhem a mesa que mais lhe convém, que por estar mais bem localizada, tem sempre frequência maior. Mas aí começam as caras feias. A mesa tem que ser limpa em segundos, antes da cara feia começar. Com os braços do cliente apoiados nas toalhas que não poderão ser trocadas naquele momento. E é lógico, aquele caroço de azeitona que se "ESCONDEU" entre o paliteiro e o saleiro, vai causar frisson.
  • Por algum motivo ainda desconhecido por nós, existe um calendário misterioso de ingredientes que são eleitos em determinados dias. Já estou pedindo aos amigos astrólogos que façam a revolução solar do Alho Poró e do Aliche. Preciso saber quais são seus melhores dias para não ser pêgo de surpresa. Qualquer restaurante que se preze, tem um prato "zebra". Aquele que não sai nem por decreto presidencial nem por epístola papal. MAS... existem os tais dias em que a posição planetária, as conjunções e trígonos, fazem com que essa zebra saia desesperadamente nos pedidos. Sabe aquela pizza de "caroço de jaca com queijo de cabra iraquiana", que nenhum ser vivo em sã consciência pediria ? Pois é. Existe sempre o dia em que se fazem 10 pizzas desse sabor. E sempre, no dia em que eu penso: - pra que vou comprar jaca ? Já tem 9 caroços aqui... Acho que dá... ninguém come esse troço... Comem. Definitivamente.
  • A música e as suas consequências. A gente faz um esforço sobrenatural pra fazer uma seleção que agrade gregos e baianos. Mas nunca será boa. Às sextas feiras, temos um trio de jazz que toca gratuitamente. Música de excelente qualidade. Esse foi o mais inusitado... Um cliente pediu que baixássemos o som, que estava muito alto. Sendo que nenhum dos instrumentos estava plugado a amplificadores. Enfim.
  • Cerveja quente, já é hors-concours... Pode estar tilintando de gelada, ameaçando congelar. Mas para alguns estará quente quando o inferno.

Muito bem. Acho que já enumerei uma quantidade razoável de reclamações. Vamos a parte boa da coisa.

  • Nada como ter clientes frequentes. Aqueles habituais, que sempre vem nos visitar, experimentam tudo de novo que a gente se arrisca a fazer. Sabe aquela combinação estranha que só a sua mãe (a minha, não...) experimentaria ? Nossos habitués também experimentam ! e são generosos com nossa ousadia. Sempre incentivam nossas maluquices. (vai aqui um agradecimento à Terry Hall, também conhecida como Tereza Pacca e a Carla Canepa, que um dia experimentaram um molho de café que ficou VERDE. Deus sabe porque...).
  • E são sempre esses, que conhecemos pelo nome, que já sabemos até qual o pedido que farão. Gente sorridente, que conversa, que dá sugestões, que elogia e critica com a maior gentileza.
  • Os chatos frequentes são (quase) sempre uma diversão. Sempre vão pedir o sorvete de graviola que a gente nunca teve. Nunca. Sempre vão pedir aquela pizza que você não faz. Eles sabem... Mas qual seria a diversão de pedir tudo certinho ? A gente torce o nariz, diz: lá vem o cliente do sorvete de graviola. Mas no fundo, vira atração, uma figura que faz do nosso trabalho um desafio.

Os vexames impagáveis que cometemos, dariam um livro. Desde as famosas azeitonas voadoras, que sempre vão cair diretamente da fôrma de pizza na cabeça dos clientes, à garrafa d'água que rola e molha a senhora estrangeira, que com sua simpatia me diz: Sorte, meu rapaz, que está um calor insuportável. Senão você teria ganhado uma inimiga. E o memorável escorregão que tomei certa vez. No meio do salão, com 6 pratos na mão. Meu poder "jedi" (gargalhadas) me fez cair, levantar sem quebrar nenhum prato e desaparecer do meio do salão em apenas 10 segundos. E me rendeu um roxo de 1 palmo de comprimento na perna. A única testemunha desse tombaço, até hoje não acredita no malabarismo que fiz.

Por tudo isso, e por eu andar meio saudosista e não muito católico com reclamações em geral, contratei uma pessoa para fazer o nosso Atendimento ao Cliente... Pateta, meu PEZ (alguém lembra disso ???) Está aqui, em cima do balcão, para receber comentários, reclamações e xingamentos. Se você for boa gente e vier nos elogiar, ele te dará uma balinha no final do atendimento. rsss

Edu

=]

Edu
Ia comentar sobre nossas malfadadas eleições. mas minha irritação não permite escrever coisas além de @#$%@$%$@%$@. Então, para ser menos agressivo com meus poucos leitores, vou escrever uma bobagem sem fim, que estavamos lembrando dia desses. Eu, Denis e Rodrigo... (comendo uma costela impagável no Outback -Ribs on the barbie).

Acho que todos nós que já temos um pouco mais de 30 anos (só um pouquinho), já assistimos àquelas malditas propagandas televisivas (infomercials), que antes eram o famoso 1406 e depois se tornaram a famosa POLISHOP.

As facas Ginsu 2000. Gente ! podemos cortar tudo, De tomates a latinhas de refrigerante, e tênis (sim !!!) Já imaginou uma bela salada de tomates, rodelas de tênis e latinhas de guaraná Bacana ? A hora que os presos descobrirem... não vai haver cela que os prenda... (Melhor avisar ao Dr. Paulo Maluf, né ? rsss).



E as meias Vivarina ? Indestrutíveis, nem unhas de gato conseguem desfiá-la ! Sua perna fica em petição de miséria, arranhada, quase gangrenando por causa do maldito gato pendurado nelas. Mas a meia está lá. Intacta. Será que as facas Ginsu 2000 cortam as meias vivarina ? É um paradoxo que ainda não foi decifrado pela humanidade. Acredito que elas são anti-ecológicas, não ? Se são indestrutíveis, não devem ser biodegradáveis. Avisemos ao Partido Verde, se ele ainda existir :(

As canetas Pennaly Pen... Além de tudo, escrevem ! Até de cabeça pra baixo... E o melhor, você pode usá-la como um dardo! Atire contra uma madeira e ela fica lá, fincada, presa. Será que tem refil com "curare" pra gente atirar nos inimigos ?

Com estas "lethal wheapons", não sei como nenhum criador de games colocou esses armamentos no seu arsenal. Um "polishop warrior" seria indestrutível com esses itens, não acham ?
Edu


Este final de semana vi minhas defesas e minha suposta segurança quase “inabalável” se desmoronarem. Aqueles olhinhos inocentes de criança curiosa, com a movimentação que fazia na casa e olhando pela primeira vez para aquele ser. Seu tio. Eu mesmo. Com os olhos mais curiosos que ela, observava aquela criaturinha tão pequenina, tão frágil, com aquelas mãos do tamanho do meu polegar. Mas com uma energia e uma luz incomparável.

Fiquei embasbacado. Não consigo achar uma palavra que consiga definir meu sentimento, minha cara. Lá estava Giovana, olhando o tio, que àquela altura tinha menos palavras a dizer do que ela própria, com seus menos de três meses.

Por alguns instantes, estávamos apenas nós dois. Todas as outras 13 pessoas presentes desapareceram. Talvez seja uma ilusão boba, um fascínio que me deixou hipnotizado por aquele anjo que estava em meus braços. Talvez não. Talvez tenhamos estabelecido naquele momento uma ligação misteriosa. Quem sabe ela tenha conseguido enxergar em meus olhos mareados, o amor que sinto por ela, a minha vontade de acompanhá-la por toda a sua vida. Quem sabe ela entenderá, quando mais velha, que terá mais que um tio ou padrinho, mas um amigo uma pessoa com quem contar. Ilusão? Não sei. Existem mistérios que envolvem as relações. Mas é este o meu sentimento agora. À minha irmã Gabriela e meu cunhado Maurício, agradeço pelo presente. Que deram a si próprios e a toda a família. E já peço desculpas pelo estrago que vou causar... (risos) Que esse tio que vos escreve, vai ser coruja sim! E vai deseducar a sobrinha. Afinal, a nós tios, cabem as coisas boas da vida. Brincadeiras, dormir fora de hora, assistir filmes 40 vezes, cantar as músicas mais bobocas. Ganhar presentes fora de hora, aprender a falar cocô, xixi, bunda e rir sem parar quando ouvi-las.

Não precisar comer verduras no almoço, sujar a roupa sem culpa, voltar pra casa toda marrom, fazer maremoto na banheira. Ir ao cinema assistir desenho animado, comer um saco enorme de pipoca...

E te prometo, Giovana, que mesmo odiando circo (risos) eu te levo se você quiser.

Queria ter escrito algo poético ou que parecesse como tal. Saiu uma carta sentimental. De um tio coruja para uma sobrinha que só poderá ler isso daqui uns bons anos.

Te amo, minha sobrinha. Gabby e Maurício contem sempre comigo.

Beijos

Edu

=]

Edu
Pra quem não sabe, eu e Tatiana (que também posta por estas bandas). temos uma pizzaria. A convivência entre garçons, atendentes e nós mesmos com clientes, não é uma das coisas mais simples do mundo.

Estava passeando pelos meus bloggs preferidos, quando achei esse texto no blogg da Rosana Hermann e achei, além de engraçadíssimo, uma descrição quase que precisa dessa relação "tão delicada"... Segue o texto:


Garçon, você sabe, é 'garoto' em francês. Claro, a palavra já foi totalmente absorvida pelo Brasil, ninguém nem lembra sua origem quanto mais seu significado. Mas tem dias que você chama o garçon e parece que está mesmo falando outra língua, porque ele simplesmente, não atende seu pedido.

Em geral, os garçons são muito gente boa. Pacientes, tolerantes, prontos para agüentar até o freguês mais chato, mais bêbado, mais corno, ou uma mistura de todos os três. Tanto é que os garçons são famosos por sua capacidade de ouvir lamentações de clientes solitários assumindo, muitas vezes, o papel do terapeuta. Com a vantagem de cobrar só 10% da consulta.

Tem garçon de bar, de botequim, de restaurante fino, restaurante grosso, de pizzaria, de churrascaria, de rodízio, de restaurante japonês, entre outros. Tem garçon prestativo, trabalhador, puxa-saco. Mas uma coisa é certa: sempre em qualquer restaurante, haverá pelo menos um garçon de mau humor, aquele que briga com o cliente e nunca acerta o pedido: é o garçon mal-humorado.

O garçon mal-humorado só chega até sua mesa depois que o cliente faz todos os exercícios de torcicolo em busca de um olhar até sua mesa, esgotando o repertório de chamamentos, passando do óbvio 'ei, garçon!' até o, 'amigo!', 'psiu', 'hey!!', 'pode ser?', 'por gentileza' e até termos desesperados como 'meu querido'.

Por pior que seja o humor, uma hora o garçon é obrigado a vir até você, mesmo se arrastando, mesmo de bico, mesmo com aquele balãozinho sobre a cabeça cheio de figuras e símbolos horríveis sobre você.

Ele chega e com ares de guarda de trânsito, tira a bic de trás da orelha ou do bolso, seu bloquinho de anotações e voilà, está pronto para multar você por ter sido tão burro de ir até aquele restaurante. É hora do pedido.

Nas grandes rodas de amigos e familiares, a hora do pedido é uma hecatombe nuclear sem fim. Ninguém sabe o que quer, todo mundo fala ao mesmo tempo, alguém quer ir ao banheiro bem naquele momento. O garçon, então, organiza a zona avisando que ele só está ali pra tirar as bebidas enquanto todo mundo escolhe o prato à la carte.

Aqui, cabe um parágrafo especial: em todo restaurante a bebida é pedida primeiro para chegar primeiro, antes da comida. Assim você vai tomando tudo até que acabe, no tempo exato para receber seu prato e já estar com sede. É um fato da vida, nunca sobre aquele gole dágua que você tanto precisa quando a comida apimentada acaba.

Os pedidos de bebidas sempre causam tumulto. A avó quer tomar cerejinha, xodó da Bahia, leite com groselha ou qualquer outra coisa que não existe por decreto lei federal desde 1934. As crianças perguntam se tem suco de pitomba, a titia faz questão de pedir uma tubaína diet com gelo e mexerica, mas com o detalhe da mexerica ser em rodela e o gelo vir separado no copo. Alto. O adolescente vai pedindo e cancelando, pedindo e cancelando até que o garçon perca totalmente a noção se ele quer guará-cola soda-fanta light-lemon com-sem gelo e lima-limão ou suco natural de milkshake de choco-late e não morde. Na dúvida ele traz uma água.

Depois que as bebidas chegam todas trocadas e todo mundo já reclamou que o gelo era fora e não dentro, que o limão era espremido e não em rodela e que o refrigerante era diet e veio normal, chega a hora da guerra do menu.

O menu é concebido especialmente para que você não entenda nada assim, você pode pedir o que não sabe, comer o que não gosta e pagar com o que não tem. É uma ciência.

Para tirar as dúvidas de todo mundo, o garçon é interrogado como se estivesse na inquisição espanhola. Depois de dar explicações, sugestões e explicar que não é possível trocar o arroz pela carne, a salada pela sopa, a farofa pela sobremesa, acontece aquilo mesmo: o freguês aponta a mesa ao lado e diz que quer um prato igual aquele do vizinho.

Depois de três horas de espera, muito xixi no banheiro, muito jogo de palitinho, muitas ligações inúteis no celular só pra matar o tempo, muito desenho de bic na toalha de papel, muito origami no guardanapo, a comida chega. Momento de glória. E derrota.

Um reclama que a carne mal passada veio passada demais, outro diz que o purê está com uma textura estranha, outro acha que tem sal de mais ou sal de menos. Enfim, em algum momento, as pessoas calam a boca, param de reclamar e comem.

Quando o garçon é chamado para a segunda rodada de bebidas e o pedido de sobremesa, o saco do rapaz já está no fim. E o do cliente também. Mesmo assim, partimos para o último round de doces, onde a relação já foi discutida e ainda que silenciosamente, todos já sabem se vai ou não vai ter os 10%.

A hora da conta é um martírio exclusivo do chefe da família. É ele que faz o acerto de contas com o garçon, discutindo item por item até descobrir porque deu tudo aquilo de total. A culpa, é sempre do couvert. O couvert é uma versão melhorada de pão com resto, calculada cientificamente para extorquir o cliente dentro da conformidade da lei. Não tem jeito, comeu, tem que pagar. Se fosse gente seria pior, ainda tinha que levar pra casa ou botar no táxi.

Quando tudo termina, a mulherada pega um batalhão de bolsas, os homens catam carteiras e chaves e todos vão arrotando e dizendo que comeram demais em direção ao manobrista, enquanto o garçon traz o troco ou o cartão e recolhe o julgamento final da sua pena, traduzido em moedinhas.

Neste momento, alguém pergunta 'cadê o papelzinho do estacionamento?'.E aí, começa mais uma batalha. Que não tem nada a ver com o coitado do garçon. Nem com essa história. E aí, fica pra uma outra vez.

Próximo capítulo, a guerra dos manobristas! Um beijo, um browse, um aperto de mouse,da

Rosana Hermann


Aproveitando o ensejo: Nós da Pizzaria do Porto, não cobramos couvert, ok ? rss Aparece lá. Rua XV de Novembro, 112. Em Santos, no centro histórico.

Ah! e nas sextas feiras, tem música ao vivo, com o Almanaque Jazz Trio. De graça, sem couvert também. =]

Edu =]

PS.: Rosana Hermann me autorizou o "copy & paste" desse texto. Gente fina ! =]


Edu
Achei que esse seria um tema interessante pra comentar. Os textos abaixo foram tirados de um site (que está mencionado abaixo). Fala sobre o existencialismo, sobre os filósofos que divulgaram essa corrente de pensamento e que me motivaram de alguma forma. Seja durante meus anos de psicoterapia, seja pela minha leitura e compreensão medíocre do seu significado.


O Existencialismo difundiu-se como o pensamento mais radical a respeito do homem na época contemporânea. Surgiu em meados do século XIX com o pensador dinamarquês Kierkegaard e alcançou seu apogeu após a Segunda Grande Guerra, nos anos cinqüenta e sessenta, com Heidegger e Jean-Paul Sartre. A corrente existencialista assimilou ainda uma influência da fenomenologia cuja figura principal, Husserl, já citado, propõe a descrição dos fenômenos tais como eles parecem ser, sem nenhum pressuposto de como eles sejam na verdade. Para o existencialismo, a fenomenologia de Husserl significou um interesse novo no fenômeno da consciência.Reunindo as sínteses do pensamento de cada um desses filósofos podemos listar os postulados principais dessa corrente filosófica que são:

1. A primeira é o ser humano enquanto indivíduo, e não com as teorias gerais sobre o homem. Há uma preocupação com o sentido ou o objetivo das vidas humanas, mais que com verdades científicas ou metafísicas sobre o universo. Assim, a experiência interior ou subjetiva - e aí está a influência da fenomenologia - é considerada mais importante do que a verdade "objetiva", um fundamento igual à da filosofia oriental.

2. O homem não foi planejado por alguém para uma finalidade, como os objetos que o próprio homem cria, mediante um projeto. O homem se faz em sua própria existência.

3. O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além de nossa total compreensão; nenhuma explicação final pode ser dada para o fato de ele ser da maneira que é;

4. A falta de sentido, a liberdade conseqüente da indeterminação, a ameaça permanente de sofrimento, da origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao desespero; há uma ênfase na liberdade dos indivíduos como a sua propriedade humana distintiva mais importante, da qual não pode fugir.

Heidegger e Sartre foram os dois mais importantes filósofos da corrente existencialista. Ambos foram profundamente influenciados pela filosofia de Edmund Husserl, a fenomenologia, e desenvolveram um método fenomenológico como base de suas respectivas posições filosóficas.

Sartre contribuiu com mais pensamentos sobre a liberdade e chefiou dentro do movimento uma corrente ateísta.Para Jean-Paul Sartre (1905-1980), a idéia central de todo pensamento existencialista é que a existência precede a essência. Não existe nenhum Deus que tenha planejado o homem e portanto não existe nenhuma natureza humana fixa a que o homem deva respeitar. O homem está totalmente livre é o único responsável pelo que faz de si mesmo. E são para ele, assim como havia colocado Kierkegaard, esta liberdade e responsabilidade é a fonte da angústia,Sartre leva o indeterminismo às suas mais radicais conseqüências. Porque não há nenhum Deus e, portanto nenhum plano divino que determina o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que ele faz.

(Cobra, Rubem Q. - Existencialismo. Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001.).

Desde pequeno, fui incentivado a pensar em todas as circunstâncias, assuntos e comentários familiares. Talvez seja essa a "causa" do meu pensar incansável e tentar o entendimento quase racional e cartesiano que tenho.

Várias vezes me deparo com atitudes e pensamentos absolutamente concretos. Do tipo, para cada ação existe uma reação. Talvez o hábito de pensar assim me leve a essas atitudes. Entretanto, fiz vários anos de terapia existencial, fenomenológica. Talvez uma tentativa de equilibrar esse meu lado concreto com a abstração que é característica principal de meu signo solar, Aquário.

A missão mais complicada nessa cabecinha foi a de tentar desvincular meu passado, minhas experiências passadas e assumir que a destinação das nossas vidas está mais do que nunca ligada a forma de viver do presente. As influencias diárias que nos transformam, que nos fazem mudar nossos rumos e que por mais que as desprezemos, (ou assim pensamos), acabam transformando nossa maneira de agir de pensar.

Ó Sartre, será que daria pra você simplificar um pouco ? rss Seria tão mais fácil a gente culpar uma determinação genética e/ou social para que a gente assumisse um comportamento linear, palpável e quase previsível. Odeio você e o Heideger, que me forçam a pensar e agir de forma diferente e ter de me confrontar com minha liberdade absoluta de pensamento e comportamento. (risos).

Não vou nem mencionar a parte que fala da angústia pelo futuro. Já seria abusar demais da vossa paciência.Quem quiser comentar, feel free. Se não entendeu, eu desenho. Mas já vou avisando que sou péssimo em desenho. Até uma casinha com chaminé e fumacinha não sai lá essas coisas. Ah, e não esqueça que sou daltônico... A árvore certamente estará com as cores invertidas

Beijos

Edu =]
Edu
Quando comecei a pensar sobre o Daltonismo e sobre a percepção diferente das cores não pude deixar de me perguntar se não somos todos daltônicos das relações? O daltônico percebe as cores diferentemente de todos, mas não fazemos exatamente isso nas nossas relações? Não entendemos tudo conforme o nosso filtro particular?

Pois é. Estamos sempre confundindo as “cores” da nossa vida. Confundindo e fundindo sentimentos que acreditamos serem os verdadeiros e também teimamos que estamos certos. Claro que foi o que você disse!!!!!!

Se pararmos pra pensar e fizermos uma analogia com o cachorro verde, quantas vezes nós batemos o pé em descrever as pessoas como nós as vemos, quantas outras nós trocamos as cores em nossas discussões com pessoas amadas e outras nem tão amadas assim?

E no nosso dia a dia então!!! Quem garante que o que vemos ou sentimos é aquilo que outro está compartilhando?Também temos que aprender a adivinhar as cores da nossa vida diária, que decifrar milhões de outros matizes nos nossos relacionamentos e, ainda assim, dividir com os outros aquilo que percebemos. E eles também!!! Então, um viva a todos que têm um olhar diferente, único, que percebem essa unicidade e a adoram, um viva a todos nós!!!!
Edu
Olá !

Não serei o único a postar por aqui. Então, sempre que houver um post, darei o crédito a quem de direito.

bjus

=]
Edu
Tá bem... Você deve estar pensando que sou louco ou tenho uma cachorra marciana. Mas não é bem esse o caso. Sim, sou daltônico mesmo. E essa é mais uma das esquisitices divertidas que sou capaz de contar.

Valentina, minha labradora-da-tasmânia é marrom chocolate. Isso é a observação alheia... Meus olhos me dizem que ela é verdinha... Da cor do tronco das árvores, da cor de muitas outras coisas, que denunciaram meu daltonismo quando eu era criança.

A primeira vez que me dei conta de que minha percepção era diferente dos outros, foi no jardim da infância, ao ser perguntado pela 'tia' (com cara de preocupada): -Dudu, porque você desenhou uma árvore com as cores trocadas ??

Lembro quase que perfeitamente da cara de espanto da 'tia' Terezinha ouvindo minha explicação sobre as cores, e o círculo que os amiguinhos fizeram para olhar aquele ET (eu) que estava falando. Nem preciso dizer que naquele dia teve bilhetinho na agenda. Não me causou traumas. Ao contrário, considero a primeira vez que percebi que meu olhar sobre as coisas era diferente. BEM diferente... Além do que, fui a diversão dos colegas por muito tempo...

As famosas canetinhas 'silvapen' (todos nós da geração de 70 lembramos da caixinha branca, com tampa transparente... inesquecível !) eram o máximo do meu exercício de adivinhação. Em seguida, a tentativa de ser um aluno normal, com a famosa caixa de lápis de cor de 36 cores, todas com o nome e a cor escrita... Ok, mas que diabos era fúcsia? Será que a grama era dessa cor ??

Os anos passaram. E com eles, algumas encrencas e alguns aprendizados. Acho que a característica principal de um daltônico não é a troca das cores e sim a teimosia. Sou capaz de discutir com qualquer pessoa e insistir sobre cores. Pior, eu ainda fico bravo ! Certa vez causei um tumulto num estacionamento, porque não achavam meu carro. Onde estava meu Uno azul ??? roubaram ?? Não. Ele estava lá. Verde, esperando por mim. Ninguém me disse que meu carro era verde !!! Comprar roupas é uma aventura à parte.

Essa é minha primeira incursão no mundo dos blogs. Sempre leio minha querida amiga Andrea, e seus amigos bloggeiros. Sempre adoro tudo, e a vontade de deixar algumas idéias num blog vem fermentando ha algum tempo...


Então, se alguém ler, quiser postar, reclamar, a casa é sua! Se gostar, espalhe. Se não gostar,não conta pra ninguém. Ou eu mando Valentina, a cachorra verde te pegar!

Beijos a Tatiana, que me incentivou a escrever aqui. E GOD SAVE THE PALM! Essa maravilha da tecnologia, que me permitiu escrever esse post nos lugares mais improváveis.


=]